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Assoalho pélvico e nutrição, com Irene Fernández - 14/03/2019

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Os partilhamos a entrevista que fizemos com a fisioterapeuta Irene Fernández sobre as disfunções do assoalho pélvico e a influência da nutrição.

 

Quantas mulheres sofrem de alguma disfunção do assoalho pélvico e quantas a tratam?

A anatomia do períneo da mulher, a predispõe a sufrirmás disfunções do assoalho pélvico que o homem. De acordo com a International ContinenceSociety ( ICS) (2010), estima-se que 25% da população feminina apresenta alguma perda de urina ao longo de sua vida e entre um 2-18% incontinência fecal.Entre 3-6% destas mulheres desenvolverão algum prolapso genital ao longo de sua vida.

A disfunção do assoalho pélvico em mulheres inclui vários tipos de doença: os relacionados com o mau funcionamento dos esfíncteres, os relacionados com os sistemas de sustento e os transtornos relacionados com a dor.

A partir de minha experiência clínica, considero indispensável acrescentar que os transtornos das disfunções do assoalho pélvico, em muitas ocasiões, geram vergonha ymalestar; coisa que faz com que lasmujeres atraso de seu comparecimento a consulta. Ainda são considerados um assunto tabu para muitas mulheres e tem muito o que melhorar nesta área.

 

A grandes traços Como pode ajudar a alimentação destas disfunções?

Dois mecanismos principais:

  1. A alimentação provoca inflamação e inchaço das vísceras abdominais e isso altera a gestão de pressões encontrava-pélvicas.
  2. A inflamação de baixo grau sustentada nas vísceras, especialmente, no aparelho digestivo influencia a qualidade e a regeneração dos tecidos

 

O que é mais importante a ter em conta na alimentação de uma mulher?

Ao contrário do que se acredita é mais importante aquelas coisas que você deve parar de comer que aquilo que, sim, você deve comer. Se a alimentação é equilibrada, não há nenhum alimento obrigatório. Em troca de produtos industriais, alimentos refinados e gorduras trans, entre outros, devem ser removidas o máximo possível. A evidência científica é bastante conclusivo, o consumo freqüente de este tipo de produto gera inflamação intestinal, disbiosis e a alteração do sistema imune inato e isso é a base de várias patologias sistêmicas, além de influenciar de um modo direto na saúde do assoalho pélvico.

Embora o parto e a vida obstétrica da mulher é o primeiro mecanismo lesional no assoalho pélvico, é fácil entender que se uma mulher apresenta prisão de ventre, desde há muitos anos, o esforço de evacuar pode ser um mecanismo que referencia o sistema de sustentação visceral, criando a longo prazo, um prolapso genital.

O uso da alimentação nos permite, por exemplo, melhorar o trânsito intestinal e a melhorar a qualidade e a regeneração do tecido conjuntivo.

 

Cada etapa da vida é diferente, Existe uma alimentação "para sempre"?

Há certas situações na vida da mulher, onde se deve fazer mais ou menos ênfase em determinados nutrientes e até mesmo o número de kcal/dia, por exemplo, a amamentação requer que a mulher ingira entre 500kcal a mais do que o habitual.

Se algo que fazemos a cada dia, e além disso várias vezes ao dia, é comer. É interessante que seja prazeroso e nutritivo. Hoje em dia, na sociedade em que vivemos, há mais pessoas malnutridas do que podemos imaginar. Se há alguma alimentação para sempre é: que não devem faltar as frutas, os legumes, as raízes e os tubérculos ou, o peixe, os ovos e a carne, por exemplo. Estes são alimentos que levam presentes na nossa alimentação desde há milhões de anos.E água, muita água. Em consulta encontrar casos em que a mulher não tem sede ou em outros casos em que a ingestão de líquido é a base de café e refrigerantes. Ou com um pouco de sorte, 1 copo de água por dia.

 

Diga-nos 3 alimentos perfeitos e 3 a evitar.

Acho que seria melhor poder citar estes três alimentos em cada uma das fases da vida da mulher, por exemplo, na gravidez, a ingestão de ácido fólico e yododebe ser maior do que em outras etapas.Não obstante, se eu tivesse que ficar molhado diria... Frutas, verdurasy peixe, como alimentos perfeitos e três a evitar: processados, refinados e gorduras trans.

 

Irene Fernández Faíscas

Fisioterapeuta especializada em saúde da mulher

Mestre em Nutrição Humana e Saúde

Pós-graduada em Clínica Psiconeuroinmunología

Especialista em fisioterapia pelviperineal